domingo, 24 de março de 2013

Amamentação prolongada é bom?

O post é grande, mas vale a pena ler. Especialmente dedicado as mães que como eu sofrem pressão para o desmame, e para as mães que querem saber um pouco mais sobre os beneficios da amamentação prolongada!
 
Quando meu filho era pequenino sempre que eu parava para amamentá-lo alguém vinha até mim com sorrisos, falando dos benefícios da amamentaçao, que o moleque cresce gordo, parrudo, que esse é o melhor alimento, que melhora a imunidade, etc, etc, etc. 
Me lembro o quanto era bom ouvir isso, no entanto o guri foi crescendo, crescendo, crescendo e começou a andar. Aí o papo mudou...
Meu filho tem 22 meses e ainda mama em livre demanda, e sempre que eu paro para amamentá-lo observo olhares tortos, e a famosa pergunta: você vai desmamá-lo quando? Ah, depois de seis meses o leite materno não vale nada! Ele vai ficar dependente de você! Vai virar viado (sim ja ouvi isso). Poderia fazer uma lista gigante de coisas que já ouvi, mas seria muita perda de tempo.

Depois disso comecei a reparar no extremo preconceito e falta de informação que permeia nossa sociedade com relação a amamentação, principalmente após os 6 meses de idade.

Em primeiro lugar a mulher que amamenta seu filho maiorzinho não está sendo fraca e sequer está mimando seu rebento, ela está simplesmente seguindo as orientações da Organização Mundia da Saúde (OMS), a qual diz o seguinte: "O aleitamento materno deve ser mantido até os 2 anos ou MAIS, sendo que deve ser ofertado exclusivamente até os 6 meses, e após deve-se iniciar alimentação complementar".
A amamentação não é o principal alimento a ser ofertado ao bebê somente até os seis meses de vida, ela é o principal alimentado a ser ofertado até 1 ano de vida, a alimentação é complementar a alimentação. Após um ano de vida esse quadro muda, passando a amamentaçao a ser complementar a alimentação, mas de muita importância na vida imunológica da criança. Portanto não precisa se descabelar após os seis meses se o bebê está dificil de aceitar a papa, vá com calma, o seu leite ainda o nutre e é super importante. Fico super chateada quando vejo pediatras pedindo para retirar o LM após os seis meses para não "atrapalhar" a introdução de sólidos. Pior ainda quando fazem isto antes dos 6 meses, o que é bem comum.

Alguns médicos podem pensar que a amamentação vai interferir em relação ao apetite da criança para outros alimentos. Contudo não existem pesquisas indicando que a criança amamentada têm maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou.

 
Antes do sexto mês de vida a criança não precisa de suco, chá, água, leite, fruta, comida, etc. E que após o sexto mês de vida os alimentos vão começar a ser introduzidos de acordo com a aceitação da criança e o aleitamento materno mantido até os 2 anos ou MAIS!
Como consultora em amamentação reconheço que muitas são as dificuldades de se amamentar até os 2 anos, ainda mais em um país onde não se encontra nenhum estímulo para tal, e onde as questões culturais são extremamente preconceituosas. E também muitas questões individuais estão em jogo. Nós mulheres somos forçadas a voltar para o mercado de trabalho muito cedo, algumas devem retornar ao trabalho antes dos 4 meses, e tenho algumas amigas autonomas que só fizeram uma pausa por poucos dias após o nascimento. As dificuldades são muitas, e infelizmente a falta de apoio também. Vivemos em uma sociedade que cobra demais independente das escolhas!

Mas é importante mesmo amamentar após 1 ano de idade?

Estudiosos demonstraram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporciona à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.

Diante disso eu penso uma coisa, sempre que alguém chega e me fala que o leite materno não tem valor nutricional após 1 ano, o espinafre, a couve, etc deixa de ter valor nutricional quando?? 


Up na imunidade
Além disso, o que eu mais fico admirada com a nossa mãe natureza, é que o fatores imunológicos do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983). Quando nascem os bebês mamam muitas vezes ao dia e recebem um volume de anticorpos no decorrer do dia, conforme crescem vão mamando menos, e o leite vai ficando cada vez mais concentrado para suprir a necessidade de celulas brancas em um menor volume de leite. Lindo não?
E o leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outros agravos durante o segundo e o terceito ano de vida, por ser rico em leucócitos (celulas de defesa), imunoglobulinas, fator bifido (auxilia no combate e prevenção de diarréia, muuuito melhor que o activia e o yakult, a diferença é que ninguém faz propaganda dele na TV), lactoferrina. 


A amamentação não é só benéfica ao bebê pequeno, ela continua a reduzir a morbimortalidade infantil, pois dificulta o aparecimente de quadros infecciosos, e isso é mais felicidade no seu lar, dinheiro no bolso pois evitará gastos com médico e remédios, e melhor desenvolvimento infantil.
Estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.
Segundo a OMS e o Programa das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em torno de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas no mundo, a cada ano, por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva. Contudo, no Brasil, dados da II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno – realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, em 2008 – revela que 41% das crianças menores de seis meses de vida estavam em aleitamento materno exclusivo. As demais tinham experimentado outro alimento já nas primeiras semanas ou meses de vida.



Crianças amamentadas tem menos alergias
Qaunto mais tarde se  introduzir o leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente as crianças vão apresentar reações alérgicas (Savilahti, 1987).

Crianças amamentadas são mais espertas
Em um estudo com mais de 1000 crianças com idades entre 8 e 18 anos, os autores Horwood e Fergusson (1998) observaram que  crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas. Concluíram que havia umas tendências pequenas mas consistentes para a duração crescente da amamentação estar associada com um coeficiente intelectual aumentado, e um desempenho aumentado em testes estandardizados. As crianças obtinham avaliações mais elevadas do seu desempenho na sala de aula e melhores notas em exames finais.

Os autores David M. Fergusson e L. Jonh Horwood da Escola de Medicina de Christchurch subscrevem a teoria de que as gorduras insaturadas encontradas no leite humano são importantes para o crescimento do cérebro e do sistema nervoso.


Hum, agora a bomba que explode todos os dias na minha cabeça!
Crianças amamentadas são melhores ajustadas socialmente 
Ferguson observou que existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação". Seu estudo mostrou uma ligação significantes entre a duração do periodo de amamentação e habilidade social em crianças de 6 a 8 anos.  
Como já discutimos sobre a importância da fase do colo aqui, volto a falar novamente sobre a importância de se respeitar o tempo da criança. Há tempo para tudo, inclusive tempo para ser dependente, tempo para ser criança, e tempo para crescer e se desenvolver. Crianças que podem desfrutar harmoniozamente de seu tempo para crescer se desenvolvem melhor do que aquelas que são forçadas a desenvolverem prematuramente. Criança não é animal de circo, não é objeto de competição,  e muito menos de comparação, sõ pessoas únicas, singulares e precisam de tempo, carinho e dedicação.
Aliás, estudos demonstram que um desmame precoce, forçado pode realmente impedir as necessidades emocionais de dependência no desenvolvimento, retardando assim a independência da criança.
Digo com muito orgulho que amo amamentar meu filhote, tem seus momentos de grandes dificuldade, mas amamenta-lo com ele me contando a história dos 3 porquinhos, não tem preço. Esse momento único ficará pra sempre em minha memória, é tão mágico isso, que me amolece o coração. Coisa que o cansaço não faz.

 Bebês não mamam somente por necessidade alimentar
 Amamentar um bebê maior é uma otima oportunidade para brincadeiras. Além do mais é no seio que eles bucam conforto, descarregam o estresse, se acalentam quando cansados, doentes, com sono, e  com medo. Ou seja amamentação é um porto emocional. Muito mais fácil aprender a conter as emoções negativas com auxilio de um colo quente, para posteriormente quando seguro poder aprender a controlar sozinho, o que irá acontecer por toda a vida. 
Sim há outros métodos de se acalentar um criança, e a amentação não é a única forma de demonstrar amor, exemplo disso são as mães adotivas. Mas o ponto discutido aqui é a importancia da amamentação e todos os preconceitos que permeiam o assunto, uma mãe que amamenta crianças grandinhas são fortemente forçadas a desmamar com todo tipo de argumento, e que sim a amamentação é importante e benéfica, e que auxilia e muito o desenvolvimento infantil, e que acalma, e acalenta, e que está londe, muito londe de trazer maleficios como tantos pregados por aí.

Através da amamentação, a mãe recebe uma resposta da boca do seu filho, das mãos dele, do corpo e dos olhos dele. Isso dá-lhe informação sobre como ele se sente e sobre o que ele está a fazer. Quase todas as mães que amamentam até mais tarde, afirmam que esta intimidade com o bebê é o elemento mais satisfatório da amamentação. Quando a mãe está a ter este tipo de prazer, ele transmite-se, por sua vez, ao seu filho. Os sorrisos dela, as carícias e o relaxamento do seu corpo, tudo isso ajuda a tornar a experiência da amamentação mais agradável para o seu filho, também. 

Somos bombardeados diariamente com descobertas milagrosas que prometem aliviar nossos problemas diarios de nossas vidas corridas e turbulentas, e não é diferente com a amamentação vendo a grande oferta de mamadeiras com bicos de todos os tipos, diversos formatos, com propagandas de serem semelhantes ao seio materno (duvido que alguma mamadeira seja igual ao meu seio, e que ofereça o calor deles e afague meu filho como eles). Isso sem contar na promessa da industria alimenticia, e de pediatras desinformados (prefiro pensar assim) de que algumas formulas são semelhantes, e pasmem, melhores que o LM. Fato, a melhor fórmula do mercado está tão perto de parecer com o leite materno quanto plutão está do sol. E me dói, me dói muito, muito mesmo, quando vejo mulheres acreditarem nisso e desacreditarem de suas capacidades de nutrir seus bebês. Se a industria e os profissionais de saúde tomassem o mesmo tempo, e o ímpeto que eles tem para demonstrar o quanto a fórmula é superior ao LM, e passasem a incentivar as mulheres e propagar conhecimento sobre o assunto, eu tenho certeza de que teriamos um outro padrão de vida, uma outra forma de fazer saúde, e uma outra forma de vivermos em sociedade. 
A industria até tenta compensar o desmame precoce através de vacinas, antibióticos, formulas especiais, e sabonetes bactericidas (oh god), mas jamais suprirá as necessidades psico-emocionais, afetivas e de contato.

E para a mamãe?
Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas
a) A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
b) A amamentação reduz o risco de câncer de ovário
c) A amamentação reduz o risco de câncer de útero
d) A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio e) A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, quando o bebê é desmamado. Isso Não depende de um suplemento adicional na
alimentação da mãe. f) A amamentação reduz o risco de câncer de mama
g) A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética

Josimara amamentando pedro com quase 1 aninho


Amamento sim meu filho de 22 meses, e sou mãe, esposa, dona de casa, profissional, lavo fraldas, escritora, blogueira, amante de cinema. Dificil fazer tudo isso?? Muito. Cansativo? Demais. Sofrido? As vezes. Compensador? Absolutamente. Olho sempre em frente, sei que as dores, as dificuldades serão esquecidas e que o que ficará em minha memória, que me fará sentar com lágrimas nos olhos no futuro é a certeza de que valeu a pena, as lembranças daquele dedo miúdo percorrendo meu nariz, meus lábios. Da sensaçao quente de ter um pequena boca se alimentando do meu corpo, do seu sorriso de satisfação. E do orgulho da luta que não foi em vão!

Minha intenção com esse post é informar. Vejo muitas mães sofrerem com a pressão para o desmame, e que muitas o fazem sem querer, por simplesmente não terem apoio e informação. Informação é a chave para a tomada de decisões saudaveis. Não é uma crítica as mães que desmamaram cedo, longe disso, cada um sabe a dor e o doce de se viver!

Grande beijo.
Thaiane!



Referências
FERGUSON,D.M. et al. Breastfeeding and subsequent social adjustment in six- to eight- year- old children. J Child Psychiatr Allied Discip 1987; 28: 378-86.
HORWOOD LJ and FERGUSSON.Brearstfeeding and later cognitive and academic outcomes, PEDIATRICS Vol. 101 nº1 January 1998, p.01-07.
VICTORA, C. G. Et al. Is prolonged breastefinding associated with malnutrition? Am J Clin Nutr 1984; 39: 307- 14.   

Para saber mais http://www.libertas.com.br

terça-feira, 12 de março de 2013

Slingada Ribeirão Preto

Eu me emociono de ver a força que temos quando nos unimos! E me emociono mais ainda quando vejo as mulheres pegando seus filhos nos braços e indo para a rua lutar por uma maternidade mais consciente!
Sábado dia 09/12/2013 o Mamãe Sunny em parceria com o maior grupo de mães daqui de Ribeirão Preto o Gravidinhas & Mãezinhas, criado pela lindona Flácia Maciel Aguiar, foi para a frente da Esplanada do Theatro Pedro II comemorar o Dian Internacional da Mulher. Foi lindo ver.

Armamos uma barraca onde distribuimos frutas e água aos passantes.
Também distribuimos panfletos falando sobre o grupo G&M, uso do sling, e por uma lei que dê o direito a TODAS as mulheres a licença maternidade de no mínimo 6 meses!
Nossa luta é por um mundo melhor, onde as pessoas saibam amar em sua forma mais pura desde seu nascimento, e acreditamos que só conseguiremos isso quando passar a criar nossos filhos com mais proximidade, sem amarras sociais e culturas, sem medos, com afeto, com vínculo e com liberdade!.


A slingada foi muito linda. Fizemos uma roda com as mães com seus bebês no colo ou no sling e cantamos juntas a música Reconhecimento-Isadora Canto! Muito emocionante! Pra mim, essa musica tem um valor imenso, pois ela tocou momentos antes do meu príncipe nascer!
A Slingada foi demais e espero que possamos fazer outras, muitas outras! Deixo aqui as fotos clicadas pela Alexandra Yamakami!

Muito, mas muito orgulhosa por fazer parte disso tudo, por ter um dedinho mesmo que mínimo na vida de tantas mães, e na vida de tantos bebês. Isso sem dúvida me faz acordar todos os dias muito mais feliz!























quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A mulher, o bebê, a amamentação e a sonda!

Levei 18 meses pra conseguir escrever sobre a minha amamentação! Muitas pessoas viviam pedindo pra eu fazer o relato, pois poderia ser útil para outras mulheres, e eu tentei várias vezes, nunca consegui. Sempre a sensação de algo parado na garganta e eu abandonava a escrita logo no início, mas dessa vez vai sair.

Sou enfermeira, já ajudei muitos bebês a mamar no peito, e eu achava que sabia tudo sobre o assunto, e que eu iria abafar quando fosse minha vez. Engravidei e me preocupei exaustivamente com o parto, me preparei para ele, sonhava com ele, porém sempre deixei a amamentação de lado, como se a montanha mais alta da minha vida fosse o PARTO. Grande engano, atrás daquele morro (parto) havia a montanha (pós parto).
Nico nasceu e veio para o peito imediatamente, e pegou de primeira. A sensação ali foi de uma explosão imensa, e de vitória, me abafei: "meu filho acabou de nascer e mama feito um bezerro".
No segundo dia de vida, chamei uma consultora em amamentação, pois o Nico berrava, e após 1 hora de ordenha não conseguimos sequer ver um brilho de colostro, nada, nada. Era como pegar o peito de uma mulher q nunca amamentou na vida e tentar ordenhar! Tentei não me preocupar. E no dia seguinte, vi uma gotinha branca de leite escorrer, ufa, funciona, eu pensei, e desencanei, apesar de nunca ter sentido o peito cheio. Sabe aquele endurecimento dos seios, sensação de peso, nunca tive.
Os dias foram passando, e eu calmamente lidava com um bebê que solicitava o peito a todo instante, não tinha intervalo superior a 30 minutos, ele não dormia durante o dia, ele ficava no peito o tempo todo. Mas como eu sempre ouvia que bebê novinho ficava no peito o tempo todo eu estava tranquila. E com 1 mês Nico estava pesando somente 80g a mais do que o nascimento. Nasceu com 2820g e estava com 2900g, com 30 dias de vida. E foi nesse dia que meu mundo caiu!
Entrei na consulta com a pediatra, e assim que tirei a roupa dele ela soltou:"- Minha nossa esse menino está muito magro". O pesou, olhou pra mim e disse:"- Mãe, seu filho está desnutrido, pode dar mamadeira que vc não tem leite pra ele". Receitou a fórmula artificial (FA) e se despediu de mim. A consulta durou 5 minutos, mas magoou meu coração por toda eternidade! Me senti um lixo, senti que meu filho pra ela era um lixo, que não precisava do meu leite. Que qualquer vaca ( o animal mesmo) o alimentaria melhor que eu. Meu leite era lixo. Pouco lixo.
Claro, troquei de pediatra e nunca mais voltei lá!
Cheguei na nova pediatra, desesperada, chorosa, e ela o avaliou e disse que o Nico estava magro, não desnutrido, e que não era pra eu dar FA pra ele, que investiriamos na amamentação, e que ela queria ver-nos 2 vezes por semana! E aí começou a grande luta!
Todas as vezes antes de amamentar eu tirava um pouco de leite manualmente, depois o colocava pra mamar, e depois ordenha com a bomba elétrica, isso em TODAS as mamadas (oh God). O volume que eu ordenhava não passava de 5ml das duas mamas, porém eu sabia q isso no início era normal.
Procurei o banco de leite várias vezes, e elas me olhavam com piedade e pediam para que eu desse  a FA assim que eu chegasse em casa, pois meu leite era insuficiente.
E aqui vai minha sugestao para o Banco de Leite, acho que as mulheres deveriam ficar separadas na hora da ordenha, eu me sentia muito mal quando do meu lado estava uma mulher com um recem nascido ordenhando 150 ml, enquanto eu com um bebê de mais de 30 dias ordenhando 5ml das duas mamas. Era horrível! Mesmo vc sabendo que não é ideal comparar, mas sabe aquele sentimento lá no fundo que todo mundo tem, então, eu tinha, e eu me sentia incompetente e frustrada!
Fiz tudo o que eu sempre falei que não havia necessidade de ser feito (desespero?) tomei plasil, tintura de algodoeiro, chá da mamãe, litros e litros de água, canjica (engordei horrores), e claro não consegui fazer o principal: me manter tranquila.
Quando Nico fez 2 meses ele estava pesando 3200g, diante da balança, eu chorava, essa batalha eu havia perdido. Estava há 12 dias sem evacuar, urina extremamente concentrada. Eu não aguentava mais, estava no meu limite, e juntas (pediatra e eu) optamos por iniciar a relactação, até que o peso voltasse ao menos para o percentil 10, que era o de seu nascimento.
Quando saí para comprar a primeira lata de leite em pó eu chorei, me sentia derrotada, incompetente. Sentia ódio de mim e de todas as mulheres. Me tranquei em casa pq eu não conseguia ver outra mulher amamentando, eu me sentia horrível. Por que eu não consigo amamentar o meu bebê?
Eu via recém nascido maiores e mais pesados que o meu filho com 2 meses, eu me sentia a pior das mães. E quando eu ouvia que era besteira ficar assim, que a maioria das crianças crescem com leite artificial, que era
frescura, eu me sentia pior ainda. Amamentar pra mim não era uma escolha, era um princípio, era a ordem natural das coisas, e eu sentia meu corpo falho.
E eu comecei a relactar

O que é relactação?
Relactação é uma técnica de amamentação por meio de uma sonda (gastrica, ou de aspiração, ideal a de número 4). A criança suga o seio da mãe, e por meio da sonda acoplada ao peito, ela suga também o leite armazenado em um frasco.
A relactação é indicada para mulheres que já estiveram grávidas e por qualquer motivo precisam, ou querem, voltar a produzir leite. portanto, somente relacta a mulher que em algum momento da vida já produziu leite e quer retornar a produção. No entanto, a técnica é utilizada também por mulher que quere ou precisam aumentar a produção, uma vez que o bebê sugando o seio estimula a produção láctea.
Quando o bebê está recebendo leite ordenhado da mãe, mas por algum motivo (UTI) não pode ou não consegue sugar o seio materno se diz translactação, e não relactação, pois a mãe produz leite, e o mesmo está sendo consumido pelo bebê.



Então mudei um pouco minha rotina, agora eu ordenha manualmente antes de dar o peito, colocava o bebê no peito, depois de um tempo no peito eu relactava, e depois eu fazia a ordenha com bomba elétrica. O volume ordenhado passou para 20ml e nunca além disso.
E daí, um mês após, Nico pesava 5400g, ou seja ele ganhou 2200g em um mês, mais de 70g por dia. A pediatra um pouco assustada me perguntou quando de leite eu estava passando pela sonda e eu respondi, 30 ml. E ela com um sorriso respondeu, 30 ml jamais o faria engordar assim, o q o engordou foi você. Uma explosão de felicidade tomou conta de mim, e o sol voltou a brilhar. E começamos o desmame da sonda.
Porém meu mundo caiu novamente, Nico viciou na sonda, ele não aceitava o peito sem ela, chorava, ficava nervoso. Teria a sonda virado uma mamadeira? Mas fui devagar, e consegui tirar aos poucos, e o resultado após um mês fazendo o desmame foi terrivel, Nico perdeu peso! Voltei a relactar, voltou a ganhar peso. Tirava a sonda perdia peso. E fui nesse ciclo 5 vezes, até que eu tomei a decisão por manter a sonda de vez, eu não queria oferecer leite na mamadeira. A Amamentação está além da oferta de leite, é carinho, calor, afeto, vínculo e eu lutaria por ela até o fim!

A relactação deve ter um começo e um fim. O ideal é que quando se indica a realactação para uma mulher é que já se tenha em mente o processo de desmame diante de sua indicação.
Quando a indicação é para aumentar o volume de leite, há a necessidade de se esgotar outros meios. Em primeiro lugar, felizmente, a grande maioria das mulheres que acham q estão com pouco leite, na verdade não estão, e um meio de se averiguar isso é a frequência de micções, e sinais de bom desenvolvimento, o peso não deve estar no alto do pedestal. Se de fato estiver diante de um caso que necessita de cuidados deve-se observar as possiveis causas e tentar corrigi-las, e se não resolvido o caso aí sim indicar a relactação.
Apesar de ser um processo que auxilia a amamentação a relactação tem seus poréns, o fluxo de leite é maior o que pode fazer com que o bebê se acostume com essa facilidade! A longo prazo a relactação pode causar hipogalactia e desmame, daí  a necessidade de ser um procedimento provisório.
Algumas mulheres não conseguem desvincular a sonda da doença, aquele estigma de que o bebê que se alimenta por sonda é doente, essa mulher precisa de muito apoio.
Apoio, é o que de fato a mulher com dificuldades em amamentar mais precisa. E por apoio entenda acolhimento. Teve dias que a única coisa que eu queria era um abraço, só isso. Estava cansada de pedir ajuda e muita gente em cima de seus egos deixavam de ver que o que eu mais precisava era de um ombro.


E assim foram 13 meses de relactação, isso mesmo 13 meses. 15 meses me perguntando, procurando respostas do que aconteceu, o que foi errado, porém nenhuma resposta me convencia.
Até que eu tirei a vítima de mim e passei a olhar a verdade, a minha amamentação havia saído do campo emocional e flutuado para o mental. Como uma mulher consegue amamentar pensando o tempo todo em quantos ml o bebê já ingeriu, se estava mamando o leite posterior (rico em gorduras), se estava DESNUTRIDO.
Fato, Nico tem o freio sublingual curto o que acredito que dificultou a mamada, mas o que mais pesou de fato foi o DESNUTRIDO, essa palavra sondava os meus piores pesadelos, pois ela me deu o selo de incompetente, eu não vi que meu filho passava fome? Eu não vi que meu flho estava desnutrido? Precisei de vários meses pra me recompor.
E aí vai meu apelo aos profissionais da saúde: Por favor, caros colegas. Não importa que é a última paciente do seu dia estressante, você pode ferir os sentimentos dela e prejudicar toda uma história. Devemos fazer nosso trabalho com amor e ele deve ser baseado em informações corretas. Se nada tivermos de bom para falar, que fiquemos calados. Jamais podemos destruir o sonho de alguém, mesmo que não o conheçamos.
Estudar e atualizar, sempre!

Quando me dei conta que eu havia perdido a confiança em meu corpo, a confiança em mim, já havia passado 15 meses de amamentação. Quando me dei conta de que a viciada na sonda era EU, eu consegui ver o que estava diante de mim o tempo todo, a mãe estava ali.
Peguei meu filho no colo, joguei as sondas fora, e o amamentei com o coração. Não queria saber quantos ml de leite haviam ali, eu só queria sentir seu corpo junto do meu, seus olhos no meu, seu dedo dentro do meu nariz, aí eu comecei a amamentar de verdade, a amamentar instintivamente, sem explicação, sem nomes, sem adjetivos, eu me NUTRI.  E estamos hoje há 3 meses sem relactar, meu seios estão mais pesados e eu sinto que essa batalha eu venci. Sou brasileira não desisto nunca, e valeu  a pena?. Como valeu a pena!
Nico com 18 meses.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Minha vida, nosso mundo. Parte II: o coletor menstrual.

O coletor menstrual!

Pouca gente conhece aqui no Brasil o coletor menstrual, porém o danadinho está conquistando a mulherada. Eu mesma fui conquistada por ele!
Quando comecei a pensar nas fraldas de pano, logo eu juntei os planos e pensei: como lutar pra usar fralda de pano, mas usar absorvente? Não são praticamente iguais? Não ficaria contraditório?
Então, saí em busca de solução!
Eu não queria nada que me desse a sensação de molhado ou volumoso, e encontrei o coletor!
A principio fiquei receosa, achei estranho, nojento, não aceitei muito bem a idéia! Mas fui pesquisar, conversar com outras mulher, descobri uma comunidade no orkut só sobre eles, e na maioria dos casos satisfação absoluta!

Então vamos lá!!!

Imagine quantos absorventes uma mulher usa durante toda a vida. E infelizmente ela e uma grande geração irá morrer e os ABS estarão aqui!

Vantagens

O coletor menstrual nada mais é que um copo de silicone, bem macio, amoldável, que introduzido no canal vaginal forma um vácuo. Diferente dos absorventes ou tampões ele coleta o fluido menstrual e não absorve, o que acontece mais com os tampões que absorvem cerca de 35% de seu conteúdo em líquido corporal o restante é fluido menstrual. Além disso não interfere no PH e na flora vaginal.

O coletor é muito aceito em mulheres que tem alergia ao absorvente. Eu particularmente gosto pq com ele eu posso fazer atividades físicas sem correr o risco de me machucar, e pasmem não vaza nadinha, se colocado corretamente. E o melhor de tudo se não nos lembrarmos facilmente esquecemos dele, pois não se sente ele, é como se vc não estivesse menstruada!!
Eu nunca usei absorventes internos pq eu tenho medo de cair naquela porcentagem baixa e morrer devido a Síndrome do Choque Tóxico, pq eu sou esquecida. Essa síndrome é rara, porém é fatal, e acontece pela liberação de toxinas quando se usa tampões por períodos prolongados. Não se observa quadros como esse com o uso do coletor.
Os fabricantes informam que pode usar durante até 12 horas seguidas sem precisar retirar, porém alguns ginecologistas informam que o ideal é tirar pra lavar a cada 4 ou 6 horas (o recomendavel para qualquer absorvente).
Falando em lavar está aí a grande duvida da mulherada, como funciona isso??
Simples, durante o uso é só tirar o coletor, lavar com água corrente e coloca-lo novamente até o final do ciclo. Quando terminar o ciclo é só lavar, ferver e guardar, e no início do próximo ciclo é só ferver antes de usar, e durante o ciclo é só lavar!

Entao, os benefícios são:
- Economia: Os coletores duram 10 anos em média. E custam mais ou menos R$60,00.
- Consciência corporal: Se vc acha que tem um fluxo gigante vc vai se surpreender, é pouco sangue. O que acontece é que o sangue reage com o gel do absorvente e dá aparência de uma hemorragia menstrual, na verdade não é assim. Eu fiquei boba de ver
- Consciência ambiental: o único descarte é o fluido menstrual. Depois da vida util vc manda ele pra reciclagem
- Portabilidade: é pequeno cabe em qualquer lugar
- Conforto: nao causa sensação de peso, não incomoda pra urinar, andar, dormir, fazer atividade física, na verdade nem sente.
- Baixo risco de infecções
- Comodidade: tem capacidade muito maior do que os tampões ou absorventes. Permitem um uso mais seguro de vazamentos
- Higiene. Nada de absorventes fedidos, com o coletor não há odor desagradável.


Possiveis dificuldades:
-Vazamento: Se não colocado adequadamente pode vazar.
- Dor: Se sentir dor para colocar ou durante o uso pode ser que o coletor esteja mau posicionado. Sua presença nao deve ser sentida.

O tamanho depende do fabricante e das características de cada mulher. Antes de comprar veja as indicações dos fabricantes!
Coloco aqui alguns coletores que sao vendidos no Brasil
- Meluna
- MissCup
- Moon Cup
- Lunette
-Diva Cup

Na minha opinião valeu o investimento. Estou muito satisfeita com meu coletor. O legal é que quando a gente se livra de certos conceitos, e se abre para o novo um mundo de possibilidades se abrem. Se eu tivesse ficado naquela sensação de estranheza eu não teria conhecido e gostado, não estaria satisfeita por deixar de usar absorvente que poluem e que me incomodavam. Hoje vivo de  forma diferente meus ciclos e com mais consciência corporal! A minha dica é de que vale a pena!!! Deixo um vídeo pra vcs conhecerem melhor!!!
Quem quiser saber mais fique a vontade para fazer perguntas...
Um abraço


Thaiane


sábado, 27 de outubro de 2012

Minha vida, nosso mundo. Parte I: Fraldas de pano reutilizáveis!

Há um bom tempo venho querendo escrever sobre a nossa rotina daqui de casa. Desde pequena sempre adorei estudar os animais, meio ambiente, ecologia, e tudo o que há do lado de fora da caixinha.
Portante decidi fazer algumas postagens abordando o assunto: Minha vida, nosso mundo! E farei 4 posts abordando como fazemos para mantermos nossa rotina tranquila, saudável, confortável e minimizar o impacto ambiental e o sofrimento animal.
Começarei com esse post falando sobre Fraldas Reutlizáveis!
Acompanhem minha entrevista para o programa Mamães e Negócios da Camila Viver BemBom!


Tenho a intenção de com esse post discorrer sobre os motivos que me levaram a utilizar as fraldas de pano, e esclarecer dúvidas sobre os materiais, lavagem, modelos, etc.
Quando meu sobrinho nasceu há 06 anos, eu não tinha sequer noção sobre a existência das fraldas de pano modernas, e pensava que jamais eu colocaria minha barriga no tanque pra lavar fraldas, afinal as descartáveis estavam aí pra facilitar a nossa vida. Pensava, nossa que louca minha mãe que lavou fraldas de três bebês.
Mas como a realidade é bem diferente na prática, não era nada como a imagem feliz, de minha irmã jogando as fraldinhas no lixo, e dizendo adeus, e puff elas evaporam, e vão pro céu das fraldas descartáveis. Eu vi as sacolas de lixo com fraldas, milhões de fraldas, que na verdade não evaporam, elas ficam aqui por gerações e gerações, contaminando nosso mundo, nosso solo, nossa água. São 450 a 600 anos para sua decomposição, minha irmã já vai ter ido embora para o céu das mães que jogam as fraldas no lixo, assim como uma longa geração dela, mas as fraldas ainda estarão no presente, enquanto ela ficou lá no passado.
Quando estava grávida eu me pegava pensando a respeito do mundo em que eu estava colocando meu filho, e também que filho eu estaria colocando no mundo. E como os pais são espelhos dos filhos, e o que conta é o exemplo não o papo mole, eu comecei a me dedicar alternativas para que o meu pequeno não fosse mais um contribuinte do volume de fraldas descartáveis!

Vamos as contas:
- são utilizados em média 4  mil fraldas durante os 2 primeiros anos de vida de uma criança. No entanto, uma grande parte das crianças, as utilizam além dos 2 anos, algumas chegando até os 4 anos de idade.
Fazendo um cálculo, avaliando somente os custos $$, uma criança que utiliza fralda descartável somente nos dois primeiros anos gastará em média R$2.420,00, somente com fraldas descartáveis. Para este cálculo considerei uma marca de qualidade e que custa R$16,00 o pacote com 36 fraldas. supondo que o pacote com 36 fraldas, custe R$16.00

- em média 5 árvores são abatidas para produção destas fraldas;
- O prazo de decomposição varia de 450 a 600 anos;
Isso por criança, imagina somente a minha irmã, que é mãe de duas crianças, colocou no mundo uma média de 11000 fraldas descartáveis que irão poluir durante anos e anos. Agora pensa numa voltinha no shopping o número de bebês passeando alegremente com suas bundinhas em fraldas descartáveis. E pensa ainda mais no número de crianças que usam fraldas por mais de 2 anos. Ai eu passo mal de pensar nisso!
Além de tudo as danadas favorecem o desmatamento, pois são necessárias centenas de árvores para extração de celulose. E pasmem há derivados do petróleo.
Daí eu decidi, meu filho irá usar fraldas de pano. Sim, estava disposta a usar aquelas fraldinhas brancas do tempo da vovó, com calça plástica, e usei nos 2 primeiros meses de vida do Nico. 
Mas existem um milhão de tipos de fraldas modernas disponíveis no mercado, eu mesma virei degustadora de fralda. E digo elas são muito fáceis de cuidar, não perco nem 5 min do meu dia cuidando delas, e o meio ambiente e o bumbum do meu filho agradecem.

Vamos lá:

Modelos
Capas- parte externa da fralda, uma versão power da calça plástica de antigamente!!!
Absorvente (recheio)- faixas de tecido com poder de absorção, podem ser de algodão, microfibra, bambu, etc..
Fraldas All in one (AIO)- como nome já diz, ela vem pronta, a capa com o(s) recheio(s) costurados tudo junto. A vantagem é que vc não precisa ficar montando a fralda, a desvantagem é que demora mais pra secar.
Pocket- tem um bolso, pra vc colocar o recheio dentro. Vantagem é desmembrável, portanto seca mais rapidamente, a desvantagem é que ocupa mais espaço no varal e tem que montá-la após a lavagem.
Todas as minhas fraldas são pocket, pq além de morar em apartamento e demorar pra secar, eu gosto de variar os absorventes em tipos e quantidades!
Ainda há a opção de o fechamento da fralda ser em velcro ou em botões. A experiência aqui em casa com o velcro não foi muito boa, pois gruda nos pêlos do peito do papai e machucou a barriga do Nico. As de botão não tive nenhum problema.
Tem as fraldas de pano por tamanho definido P, M, G e tem as fraldas tamanho único que crescem com a criança por meio de abotoamento. Eu só tenho fraldas tamanho único!

Tecidos internos:
Algodão: Tem boa absorção, mais difícil dar reações alérgicas, porém deixa o bebê molhado, necessita de trocas mais frequentes. 
Soft/fleece/suedine/bambu/charcoal/etc: material mais sintético, mas não retém o xixi, deixando o bumbum sequinho. Só não vale esquecer que por baixo dele tem um absorvente cheio de xixi, por isso não se deve deixar pra trocar a criança por períodos muito longos. Eu troco o Nico a cada três, quatro horas. Somente a noite que ele chega a dormir 12 horas seguidas, e babem, não vazam, e ele acorda com o bumbum sequinho, mas a fralda pesando 1 tonelada!!!!

Recheios:
Todo tecido que tiver poder de absorção, pode ser usado como recheio. Vamos aos mais utilizados
Algodão: O mais comum são as velhas fraldas cremmer. Podem ser utilizados em contato com o bumbum do bebê, ou dentro do bolso da fralda. Lembrando que se estiver em contato com o bumbum, ela perde a característica sempre seca, e o bebê vai se sentir molhado.
Bambu: ótimo poder de absorção, tecido feito a partir das fibras de bambu. Pode ser usado em contato ou dentro do bolso da fralda
Microfibra: Absorvem 8x mais que o algodão, é indicada para as crianças que fazem muito xixi. Não podem ficar em contato com bumbum do bebê, portanto só podem ser usadas no bolso da fralda, ou se estiverem encapadas com algum outro tecido.
Zorb: eu o acho superior que a microfibra na absorção. Ele é 20x mais rápido na absorção do que o algodão, e não impregna residuos.
Canhamo: também tem boa absorção, mas é proibido no Brasil por ser feito pelas fibras da maconha. pode ser utilizado junto ao bumbum do bebê. Eu acho sua absorção um pouco inferior ao bambu e microfibra, porém se unido a microfibra, fica um poder de absorção legal.

Porque a fralda de pano moderna não vaza como as de antigamente?
O segredo está no absorvente, conforme comentado anteriormente, os quais tem poder de absorçao superior aos de algodão. No entanto as fraldas de hoje, na parte externa, vem acoplado um plastiquinho. Para as fraldas importadas, a maioria das fraldas sao feitas por pull, que além de impermeáveis são respiráveis. O que a deixa mais fresquinha!!

Lavagem:
- Aqui eu vou juntando um tanto bom de fralda, uso umas 8 fraldas por dia. Lavo a cada dois dias, então tenho uma média de 16 fraldas por lavagem. Junto tudo, dou um enxague na máquina. Quando a troca da fralda tem cocô eu o retiro com um jato forte de água se estiver grudado na fralda, se estiver sequinho, jogo no no vazo e coloco em um balde com tampa, e vou juntando as fraldas. Depois vai tudo pra máquina, com o mínimo de sabão!
Uma coisa que eu gosto de fazer para economizar água é usar a água do banho do Nico para dar o enxague, e as vezes caso necessário deixar um pouco de molho.
Eu gosto de eventualmente fazer uma lavagem sem sabão, utilizando vinagre que desodoriza e atua como antiséptico e as deixa bem macias. O uso de bicarbonato deixa as fraldas branquinhas.
E gente, sério, sou mãe, esposa, dona de casa, enfermeira, doula, consultora em amamentação, produzo slings, blogueira, e consigo lavar fraldas. Não perco cinco minutos do meu dia com isso. Pode parecer que vc vai virar escrava do tanque, como antigamente, mas se vc tive máquina em casa o processo é muito tranquilo. E o meio ambiente agradece!

Quais cuidados devo ter com minhas fraldas?
- Não utlizar pomadas, amaciante, excesso de sabão. Isso tudo impermeabiliza a fralda, o que ocasiona vazamentos.
Como é tecido, é mais difícil a ocorrência de assaduras, dispensando o uso profilático de pomadas. Mas caso ocorra, eu gosto de dar banho com chá de camomila e calêndula, que acalma a pele. Tem a pomada de calêndula da Weleda que se usada em pequena quantidade não ocasiona problemas, e aloe vera em gel da Forever. Se a assadura estiver muito grande, eu coloco as fraldas cremer, ou deixo peladinho, com lanolina pura (santo remédio).
Não há necessidade de passar a fralda a ferro, pois isso não mata a maioria dos germes e amassa as fibras, o que também compromete a absorção.

O que fazer com as manchas?
-Sol.  Se tiver feia a coisa, pode-se usar água oxigenada 10vol + sol.
Cuidado com o excesso de sabão, ou qualquer outro alvejante. Uma fralda impecavelmente limpa pode estar escandalosamente impermeável. Se cuidar bem delas, vc as terá limpas, sem machas e funcionantes. E acreditem, o cocô quase não mancha, pq ele não é tão absorvido por elas. Diferente das fraldas de algodão, que aí só o sol pra ajudar!!!

Mas e a água pra lavar? Não gera impacto no meio ambiente?
A resposta é Não! Nesse blog aqui há um post só falando sobre isso, clique aqui.
E não podemos esquecer que para a produção das fraldas descartáveis são gastos muitos litros de água.


Benefícios
- Promovem um conhecimento maior sobre o ritmo de evacuação do bebê. As mães que usam fraldas de pano conhecem melhor as características, quantidade e alterações das eliminações;
- São muito mais econômicas
- São extremamente mais bonitas;
- São muito mais frescas;
- Economia com pomadas, pois o aparecimento de assaduras é menor;
- Desfralde mais facilitado e cedo.

A minha intenção em falar sobre esse assunto é trazer esse mundo a tona, pois muitas mãe desconhecem essa possibilidade. Acredito que há a necessidade de uma reflexão sobre o tema, afinal é o nosso mundo. Faço lembrar que não há necessidade de ser uso exclusivo, você pode intercalar o uso, ou só usar a noite, etc, com essa atitude você já ajuda o planeta reduzindo o seu volume de lixo! Vale a pena conhecer um pouco mais e experimentar, eu não troco por nada e sou muito feliz com as nossas fraldas!!!!

Abraços
Nico e sua fralda de tigrinhos!


Thaiane!!!










quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sling com segurança!

O que você precisa saber sobre Sling!
O Sling é um carregador de bebê artesanal e não estruturado. É não estruturado, pois ele se amolda ao corpo e coluna do bebê, não tem superfícies rígidas. São seguros e confortáveis tanto para o bebê, quanto para quem o carrega! Portanto o canguru e a baby-bag (sling da Cláudia Leite) não são slings, pois são estruturados e sua produção é industrial.
Quanto antes começar o uso mais o bebê se beneficiará dele. Ele pode ser usado desde o nascimento até mais ou menos 20kg, não é incomum vermos mães carregando seus filhos com mais de 2 anos no sling. Se você carrega seu bebê no colo, seu sling é bem confeccionado, você pode carregar seu filho no sling.
Sling de argola
A grande preocupação é que o sling está em evidência no Brasil e muito fabricantes andam se apropriando disso somente com intenção de vender, e os resultados a gente vê diariamente andando nas ruas, slings de má qualidade, com argolas e costuras inadequadas, tecidos de baixa qualidade, e muitas vezes quem o vende sequer sabe utiliza-lo.
O sling é um carregador seguro desde que usado corretamente, procure obter informações sobre seu uso correto, tire dúvidas com fabricantes, amigas que utilizam, procure slingadas em sua região para tirar duvidas sobre as amarrações, posições, qualidade do material, tipos de sling e etc, com isso além de você conseguir muitas informações sobre esse ítem maravilhoso, você ainda faz amigos e desfruta de boas conversas.
Wrap Sling Mamãe Sunny
Basicamente devemos tomar cuidado ao comprar um sling de argola em observarmos se o tecido é resistente e fresquinho, se as argolas são resistentes e estão dentro das recomendações estabelecidas para uso seguro em slings, e se a costura é reforçada e atende as especificações de segurança.

Para saber mais sobre segurança do sling de argola, clique aqui .
Já para o wrap o tecido não deve ser demasiadamente elástico, se for muito elástico o uso vai ser desconfortavel, o tecido fica cedendo, e você terá dificuldades em fazer um ajsute adequado e o bebê vai ficar baixo, o que é desaconselhado, slém de ficar batendo nas suas pernas o que o deixará perigoso.
Quanto ao pouch devemos ter cuidado quanto ao tecido, costura e o tamanho que tem ser ideal para quem carrega e para o bebê.
O uso do sling deve ser livre de desconforto para ambos, se estiver desconfortável causando dores nas costas e pescoço provavelmente o uso está inadequado.
Fiquem a vontade para pedir maiores informações
Abraços
Thaiane


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A doula que vive em mim

Você sabe o que é doula?
Mulheres ajudando mulheres a darem a luz com respeito e dignidade. Amparando com suas quentes mãos o corpo cansado de uma mulher que vivencia um turbilhão de emoções e hormônios. Com um toque ameniza dores, trás segurança e força para enfrentar a próxima contração. Com um sorriso no rosto sinaliza a vinda do bebê. A sua invisibilidade no momento do nascimento é o toque mais puro que uma mulher dando a luz espera, a força sem agressividade, o olhar sem cobrança, o toque sem pressa, as palavras de amor.
Confiram a breve entrevista que ofereci ao Programa Mamães e Negócios com a linda Camila Mamãe Viver BemBom, o site dela é este aqui: http://viverbembom.com.br/

Abraços e espero que gostem!!!
Thaiane