sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Atenção na hora de comprar sling de argola!


Nico e eu slingados.


Pessoal fiz este post, pois ando vendo MUITOS erros de confecção horrendos em slings de argola!
O sling de argola é um ótimo carregador de bebês, simples, prático, e econômico, porém necessita de um olhar minucioso na hora de comprar. O fabricante de sling de argola deve ter conhecimento das normas de confecção para uso seguro. Vou citar alguns pontos importantes:

Argolas:

Ando vendo muitos slings com argolas de acrílico ou de ferro com emendas, até argolas de cortina e fivelas de cinto. CUIDADO, com segurança não se brinca. Argola de ferro não são indicadas, mesmo que estejam soldadas, pois essa emenda por mais lisa que seja faz fricção com o tecido o que ocasiona furos no tecido, e daí para rasgar o sling é um pulo. 
Só essa semana vi uns 8 slings de argola que me deixaram de cabelo em pé!
As argolas indicadas são as de nylon injetado, de aço inox cilíndrica, sem solda, sem emenda e sem serem achatadas, e as de alumínio. NÃO PODEM ser de ferro, acrílico, madeira, plástico.

Costura

Vejo slings maravilhosos com costuras bordadas e slings com costura retas, não importa se é reta ou bordada, apesar de as bordadas serem mais firmes,  mas precisa ser no mínimo 3 costuras no local onde se fixam as argolas. Estas costuras devem ser individuais, no caso de alguma romper, haverá outras pra segurar!
Detalhe da costura, Mania de Sling by Dida.


Resumindo:
NÃO PODE:
-Argolas abertas, com emendas, soldas (mesmo se estiver bem lisa),ocas, de metal banhado, de madeira,plástico, acrílico, etc...


PODE:
- Argolas de alumínio (próprias), de nylon injetado, de inox... Todas SEM emendas
- Costuras individuais, bordadas ou retas, tendo ao menos 3 costuras reforçadas nas bordas.

Sempre que você ver uma mãe usando um sling que não esteja adequado alerte-a, isso pode evitar problemas!
E aproveite o seu sling.
Abraços
Thaiane

Referência: 
http://slingseguro.wordpress.com



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cama compartilhada, uma opção na minha vida!

Hoje vou abordar um tema quente entre 101% das mães, o local do sono dos bebês. O que lá do outro lado do globo é natural, aqui é tabu! Eita cama assassina, formadora de bebês dependentes, e coisa de mãe preguiçosa. Pasmem, eu já ouvi isso várias vezes!!!
   É tão proibido falar em nossa sociedade, devido aos narizes tortos, os olhares reprovadores, o biquinho de tadinha, que a maioria das mães mentem, ou omitem que seus filhos dormem com elas a noite toda, parte da noite ou em algumas ocasiões.   Pois eu vou falar publicamente, em 15 meses de vida, o Nico NUNCA dormiu sozinho a noite. E isso já estava decido antes mesmo do nascimento dele. Vou falar um pouquinho mais sobre os motivos dessa decisão.
 
  Mas antes de mais nada quero deixar MUITO CLARO, que eu não tenho a intenção de propagar a idéia de que todas as mães devem dormir na cama com seus filhos, cada mãe é única, singular, assim como cada criança! Dizer que isso deve ser assim ou assado, é colocar todo mundo numa mesma caixa, e deixar de valorizar o que cada um tem de especial! Se o bebê dorme bem no berço sozinho no quartinho dele, e a mãe dorme bem no quarto dela, não há motivos para se preocupar. A minha intenção com essa postagem é trazer esse assunto polêmico de uma forma humana e científica, e desmistificar a questão da cama compartilhada com a formação de crianças dependentes, e outras coisas.
   Primeiro vou dizer o que minha experiência como mãe me ensinou!
   Eu escolhi a cama compartilhada porque eu gosto, meu marido gosta, meu filho gosta, nós gostamos, e vivemos muito bem com isso!    Assim que o Nico nasceu ele já veio dormir na cama, eu encostei a cama na parede e ele dormia ali, entre a parede e eu. Mas, como nessa época eu ainda não estava acostumada, e tinha medo de dormir em cima dele, eu coloquei um bercinho de camping do lado da cama e ele dormia ali, e se acordasse a noite viria para a cama com a gente. O tempo foi passando e a gente foi se acostumando, desmontamos o berço que só estava tomando espaço no quarto, e assumimos que o seu quarto era ali, com a gente.
  Coloquei um colchão no chão do lado da nossa cama, e quando não tem ninguém na cama, ele dorme ali, o que também favorece a autonomia, uma vez que ele acorda, levanta e sai andando pela casa! E eu digo que eu durmo muito melhor com ele na cama, a amamentação é facilitada, uma vez que não preciso me levantar para amamentar, ele acorda sente a nossa presença e dorme novamente, é uma delícia dormir agarrada nele, sentindo o cheirinho de suor da cabecinha dele!
   Portanto se alguém viesse me dizer para eu coloca-lo longe de mim, e eu o fizesse, isso seria muito ruim, pois eu não sou assim, não consigo imaginar o Nico tão pequeno, ainda mais quando era recém nascido, dormindo sozinho em outro quarto. Com certeza eu iria acordar mil vezes preocupada e meu sono seria muito ruim!
  Aqui está a minha visão do berço com a cama compartilhada http://www.thefoodoflove.org/breastfeed-in-your-sleep.htm  Thaty, minha irmã, me perdoa? Quando meu sobrinho nasceu, e eu fui lá pentelhar visitar. minha irmã o colocou na cama para dormir, e todas as sirenes tocaram, nasceu em mim uma leoa louca, que gritou: "tire esse menino daí, senão ele nunca mais vai dormir sozinho. Você vai criar uma criança dependente", graças a Deus ela não me deu ouvidos, e quem conhece o Thi sabe, o quanto ele é inteligente, independente e feliz. Mas, hoje eu olhando para esse dia eu vejo que eu estava repetindo o que as mães mais velhas falavam nas rodas na vizinhança, eu sem pensar criticamente, assumi  aquilo como uma verdade e reproduzi como uma monstrenga em cima da minha irmã. E vejo que isso é o que acontece com a grande maioria das pessoas!!!
 
 Pra  MIM, somente a mim, não faz sentido colocar meu filho para dormir longe de mim, quantas noites ele dormiu em meu ventre, ouvindo minha respiração, meu coraçao, e tudo mais, e só porque ele nasceu eu devo coloca-lo lá longe? Sendo que é esse o momento em que ele mais precisa da minha presença, pois ele chegou num ambiente estranho, com tanta coisa diferente. Teve que aprender a respirar, se adapatar a coisas estranhas chamadas fome, dor, frio, insegurança, medo, e além disso tem que aprender a engolir o choro e dormir sozinho, a noite toda pra mamãe ficar feliz.
- Mães mais velhas e experientes, pediatras ocidentais, e etc, eu tenho que dizer a vocês, isso não faz parte de mim, Nico fica na minha cama!
   Se formos pensar há milhares de anos, em que lugar dormiam as crianças?? Na caverna ao lado da caverna da mãe? Ou dormiam juntos, para se aquecerem no frio e para serem protegidos dos  predadores? É, não só dormiam com as mães, a criança nessa época, como dormiam a tribo toda, juntos. E eu estou aqui escrevendo isso para vocês, algum antepassado meu dormiu numa caverna com uma galera toda, e eles eram notáveis caçadores, e não pediam ajuda à suas mães para caçar, afinal a mãe ficava em casa esperando o rango para matar a fome da mulecada!
   Ok, não moramos nas cavernas há muito tempo. Mas há alguns séculos as casas não tinham cômodos, dormiam todos juntos, não havia o quarto do bebê e o dos pais, era tudo uma coisa só. Tá, mas agora moramos em casa, com vários cômodos. Sim moramos, mas a nossa genética é a mesma da mãe uga-uga das cavernas. Nós mães instintivamente queremos atender o choro do nosso filho, protege-los de predadores, dormir com eles. E nossos filhos instintivamente precisam de nós para não serem devorados, ou passarem fome, frio etc. O que mudou?? Mudou é que nós adultos temos plena coerência de que nenhum predador vai vir pegar nosso filho no berço, que nao o deixaremos passar fome, que não há perigo, que a manta irá protege-lo do frio, mas o nosso pequeno e amado ser, não sabe disso, simplesmente por não ter maturidade neurológica, ele é só instinto, o mesmo do bebê uga-uga lá de trás!!!
 
  Além disso, um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Neurologia da Califórnia concluiu, que dormir com ou perto do seu bebê melhora a qualidade do sono dos pequenos, os bebês acordam menos e reduz o risco de morte súbita do recém-nascido, o que vai na contra-mão do alarmismo médico e cultural aqui no Brasil. E eu confirmo, eu acordo várias vezes com o Nico tateando o colchão, e ele encontra alguém encosta e dorme de novo.
    O bebê que dorme com a sua mãe, tem menos cortisol circulante em sua corrente sanguínea, ou seja ele sofre menos estresse, e o contato com a mãe o faz secretar ocitocina que é o hormônio do amor. (Waynforth, 2007). Lindo não?
   Tá, Thaiane, é lindo, mas eu não quero meu filho dependente! Mais um relato importante, bebês com baixa carga de cortisol (estresse) e maior carga de ocitocina são mais dispostos da conhecer o mundo. Além do mais a criança que se sente segura, que sabe que tem proteção ela tende a explorar mais o ambiente porque ela sabe que tem que a conforte. Com isso tudo você oferece senso de segurança e sensações duradouras de conforto e proteção.
   Exemplo:
   Quando vamos a um parque de diversões e queremos ir no trem fantasma, se estamos sozinhos sentimos um pouco mais de medo, se estamos com uma turma de amigos, o medo diminui ou vira festa com os mostrengos. Nós somos seres sociais!!!   Quanto a questão de segurança, existe um manual só para isso. Mas o mais importante, é não beber bebidas alcoólicas ou medicamentos que alteram a capacidade cognitiva dos envolvidos! Abaixo coloco algumas dicas de segurança, que se você observar, a maioria delas vale para os bebês que dormem na cama, no berço, na rede, no chão, ou seja são universais.
Dicas de Segurança para Cama Compartilhada
- Não use nenhum tipo de droga que possa afetar seu sono (álcool, tranquilizanres, antidepressivos, drogas ilegais, etc)
- Nunca fume no quarto onde o bebê dorme
- Use um colchão firme
- Tome precauções para que o bebê não caia da cama
-Evite fendas entre a cama e a parede. Tenha certeza de que há um encaixe perfeito entre o colchão e a parede, e a cabeceira.
- Nunca coloque um bebê em um travesseiro
- Sempre coloque seu bebê para dormir de costas- Não use edredons
- Não coloque na cama nenhuma bichinho de pelúcia ou de verdade
- Não durma com seu bebê se você está obeso
- Prenda seu cabelo se ele for muito longo
- Nunca deixe seu bebê compartilhar a cama com outra criança
- Não coloque seu bebê próximo a cortinas com cordões pendurados
- Nunca deixe o bebê sozinho em uma cama de adulto
 Ah,  mas e a intimidade dos pais! Bom para se criar uma criança é necessário criatividade, então tirem a criatividade do armário e apimentem a relação de vocês longe do cafofo do bebê!rsrs. Ah, lembrando que não precisa colocar o bebê na sua cama para se todos esses benefícios, pode colocar o berço ao lado da cama dos pais, isso se chama quarto compartilhado!AbraçosThaianeBibliografias utilizadas!http://pediatrics.aappublications.org/content/100/5/841.shortCarlos Gonzales- Besame Mucho
http://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/cama-ou-quarto-compartilhado-promovendo-a-independ%C3%AAncia/386233364734412http://solucoes.multiply.com/journal/item/56Se quiserem saber mais sobre a cama compartilhada, recomendo esses links:
http://www.cosleeping.org/http://www.attachmentparenting.org/http://solucoes.multiply.com/journal/item/8?&show_interstitial=1&u=%2Fjournal%2Fitem http://www.awareparenting.com/sleep.htm




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entrevista para a Revide

Pessoal, aqui está a entrevista que eu dei para a Revide! Ficou muito boa a reportagem, trata-se de quatro histórias de parto, quatro mulheres contando suas diferentes histórias. Espero que gostem!!!
Detalhe no Nico fazendo arte o tempo todo!


Abraços

Thaiane

domingo, 26 de agosto de 2012

A mãe que eu queria ser!

  


  Bom, hoje vou tocar num assunto, digamos, doloroso, muito bem aceito por todas as mães, que é o da mãe que queria ser contra a mãe que eu sou.
    Eu sou a rapinha do arroz, a caçulinha da casa que se casou com um caçula e hoje somos pais. Não vi minha mãe cuidar de outros irmãos, meus primos eram da mesma idade que eu, os mais novos tive pouco contato, e os amigos na grande maioria eram mais velhos. Cresci assim sem contato com bebê, o pouco que sabia do mundo da maternidade era devido às conversas de calçada, aos ditados das avós, e eu absorvia tudo aquilo, sem pensar, afinal não era mãe, não havia motivos pra ficar perdendo tempo pensando em algo que pra mim não serviria pra nada, nem de boneca eu gostava!
   Quando cheguei na faculdade, passando pela disciplina de pediatria é que meus conceitos começaram lentamente a mudar. Ainda faltava muuuuuuiiito chão pra me tornar o que sou hoje, mas algumas portas se abriram, e mesmo que eu na época nem quisesse passar debaixo delas, ao menos eu sabia que havia alguns outros meios de se criar nossos filhos!
   Mas eu virei tia, várias vezes tia, e eu me vi questionando muita coisa, muitas práticas, aprendendo um monte e sentindo uma felicidade gigante por ter crianças na família, a inocência, as palavras sem maldade, os sorrisos.
   Quando me vi grávida é que eu realmente senti a necessidade de buscar informação, eu queria fazer diferente, algumas coisas pra mim não se encaixavam.
   Comecei a me questionar, procurar informações, grupos de mães, procurei por grupos de mães que se encaixavam naquilo que eu acreditava, passei por mudanças, e no final da gravidez depois de ter livro mil livros, ter um discurso afiado sobre maternidade, e... o Nico nasceu, e me mostrou que eu sabia os caminhos, mas eu teria que trilhar esses caminhos, e a mãe que eu queria ser, aquela figura linda, penteada, perfumada, borbulhando paciência, transbordando felicidade, se tornou em uma mãe descabelada, comendo mal, com o seios machucados, com olheira, com momentos de extrema alegria e outros com um mau humor horrendo, e agora??? Cadê a mãe que eu quero ser???
   Foi aí que eu percebi que todas as teorias eram um norte que eu deveria adaptar a mim e ao meu filho, mas o caminho, ah o caminho, esse era totalmente meu, totalmente nosso, ninguém poderia escrever sobre ele, traduzi-lo, delimita-lo, ele pertencia a nós, ele pertencia a mim.
  De todas as promessas e crenças, eu acreditava que a maternidade passaria por mim sem um nó sequer, e quando me vi era um embaraço só, desespero total, muita cobrança. Não estava preparada para lidar com um bebê high need, com uma necessidade de sucção imensa, que dormia por no máximo 30 min durante o dia, e que passava a noite toda a me solicitar. O bebê dos meus planos era amável, dormia horas e horas, mamava bem, e cheirava loção para bebês. O que eu estava fazendo de errado?
  Será que eu o estava embalando errado? Será que eu oferecia demais o seio? Será que eu devia coloca-lo pra dormir sozinho no berço? Será? Será? Será?
  Foi aí que eu abandonei a mãe que eu queria ser, e passei a ser a mãe que sou. E além de tudo, passei a aceitar o MEU FILHO, passei a compreender suas necessidades, como necessidades de uma criança não como a façanha de um adulto. Passei a ouvir meu coração, a seguir minha intuição, meu instinto de mãe e as coisas começaram mudar, ao menos eu mudei.
  O monstro desconhecido passou a ser conhecido, e foi diminuíndo até se transformar em um bebê, um lindo bebê de olhos verdes, e atrás desses olhos verdes, ali, escondidinha eu vi a mãe que eu queria ser. Me lembro de estar sentada na cadeira, tentando faze-lo adormecer há mais de 2 horas, sem cobrança, sem estar irritada, estava eu ali cantando, contando seus dedinhos, e ele me olhou nos olhos e eu vi, a mãe, com olheiras, acima do peso, descabelada, mas borbulhando paciência e trasbordando alegria. As noites de sono já não eram mais as mesmas, eram noites de uma mulher que havia trocado horas de sono, por horas embalando um pequeno ser, a quem o mundo era tão desconhecido e estranho. O corpo já não era mais o mesmo, mas era o corpo de uma mulher que havia gerado vida em seu ventre, e de uma outra mulher que estava comendo feito uma louca. O cansaço era de uma mulher recém-parida a quem lhe foi dado a mais sagrada das missões, criar um adulto.
  Aí eu tive certeza de que eu estava no caminhos certo, eu estava no meu caminho. Nico continua mamando muito, passa horas no peito, mesmo estando hoje com 15 meses. Muita coisa mudou, outras não. Algumas estão mais difíceis, outras muito mais fáceis. Algumas não existem mais, outras estão começando a existir. E eu acompanho tudo, vejo tudo, fico triste e alegre pelo que já foi, fico alegre pelo que está sendo e pelas coisas que ainda virão.
  Ser mãe é viver sem receita, ser mãe é ser surpresa. É importante ter um norte para não se perder, mas é importante trilhar o próprio caminho! As palavras de um livro estão ali para nos fazer pensar, as vezes nos fazer rir e outras para nos fazer chorar, mas lá elas não valem nada, pois quem tem quem colocar aquilo na vida somos nós. São as escolhas e renúncias, que temos que fazer o tempo todo! 
  E com filho tudo passa, e passa rápido, e depois fica aquele gostinho de saudade!! Então mulherada, aproveitem, pois a hora é agora!!!!
  Não tenha medo de embalar seu filho, de dormir com ele, cantar horas e horas pra ele, de beijá-lo, de ficar juntinho em contato pele-a-pele, de se entregar, amamentá-lo em livre demanda e amá-lo sem limites, pois como diz o Dr Carlos Gonzales em seu maravilhoso livro Un regalo para toda vida: 
 "Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais, ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão, ou no hospício porque tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico, parece ser a maior preocupação de nossa sociedade".
Abraços!!!!
Thaiane

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O poderoso sling!

Nico com 1 mês




Eu uso sling com o Nico desde seu nascimento, e confirmo que ele é realmente poderoso. Não sei o que é um bebê chorar por mais de cinco minutos, não sei o que é cólica, refluxo.  E as noites não foram tão desesperadoras!Quando eu estava grávida eu já lia a respeito do conceito continuum (abordado no post anterior) e me perguntava, será certo carregar um bebê no colo o tempo todo? Mas aos poucos a mãe instintiva veio surgindo e essa questão começou a se parecer tola e pequena. E tem vários estudos mostrando que os bebes que são carregados no colo, são mais calmos e seguros! Você quer uma razão para usar sling com o seu bebê, pois eu te dou dez motivos


Nico com 14 meses!


1 – Praticar Babywearing é conveniente.


Usando o seu sling você pode caminhar livremente sem ter que se preocupar se o chão tem degraus ou com o meio-fio ao a
travessar a rua. Os carrinhos de passeio são pesados e grandes demais e alguns pais podem não querer levá-los a todo lugar. Além de tudo o bebê não parece muito confortável se movendo na altura dos joelhos dos adultos. O sling pode ainda servir como trocador, manta, protegendo também o bebê dos estímulos sonoros e visuais durante a caminhada e permite uma amamentação bem discreta. É bem útil nas viagens onde temos que carregar o bebê no colo e precisamos das mãos livres para as malas!

2 – Usar um Sling ajuda no desenvolvimento do seu bebê.



Quando você caminha com seu bebê no sling pertinho do seu corpo, ele fica sintonizado com o ritmo da sua respiração, o som das batidas do seu coração e todos os seus movimentos – caminhar, inclinar, alcançar. Esta estimulação ajuda a regular as próprias respostas físicas e também o sistema vestibular que controla o equilíbrio. O sling é em sua essência uma “barriga de transição” para o recém-nascido, que não tem o controle das funções físicas e dos seus movimentos. Mecanismos artificiais para balançar os bebês não produzem os mesmos benefícios.

3 – Bebês que usam Sling são mais felizes.


Estudos têm demonstrado que quanto mais os bebês são carregados, menos agitados eles ficam e menos eles choram. Em algumas culturas indígenas onde o sling (ou babywearing) é comum, os bebês choram geralmente alguns minutos por dia – ao contrário dos bebês ocidentais que chegam a chorar horas por dia. Chorar é exaustivo para os pais e para o bebê e pode prejudicar o desenvolvimento mental pois o cérebro do bebê fica sempre inundado por hormônios do stress. Bebês que não gastam sua energia chorando, calmamente observam e aprendem mais sobre o seu ambiente. Usar o sling pode ajudar muito com as cólicas e ajuda também os bebês que precisam de mais atenção (high needs). Bebês que não tem cólicas também se beneficiam muito com a segurança e aconchego que o sling oferece.

4 – Praticar Babywearing é um ótimo exercício para você.


É difícil encontrar algum exercício que uma recém mamãe possa fazer. Carregar o seu bebê juntinho de você na maior parte do dia ou fazer uma caminhada com o seu bebê no sling fará muito bem ao seu corpo. Uma longa caminhada com o sling é muito bom para fazer o bebê dormir.

5 – Crianças maiores apreciam a segurança do sling.



Quando pensamos no sling já imaginamos um bebezinho todo aconchegado, mas ele é muito útil para as crianças maiores (até aproximadamente 20kg). O mundo está cheio de perigos para as crianças nessa idade e eles se sentem mais seguros estando dentro do sling quando eles precisam. Crianças são predispostas a serem superestimuladas, caminhar no sling conforta e faz com que se acalmem antes que aconteça uma crise. Também é muito prático em lugares como zoológicos, parques, aquários onde uma criança num carrinho não consegue ver muita coisa.

6 – O sling ajuda a comunicação entre você e seu bebê e fortalece o vínculo.



Quanto mais seguro você se sentir como pai ou mãe, mais você pode relaxar e curtir sua criança. E a maioria dos que se sentem seguros como pais são capazem de discernir os sinais que o bebê dá com sucesso. Quando seu bebê está perto de você no sling, você se torna mais sensível às suas expressões e seus gestos. Muitos pais que usam o sling com seus bebês dizem que não conseguem distinguir os tipos de choro do seu bebê (mesmo que os livros sobre cuidar de bebês digam que eles deveriam) – porque seus bebês são capazes de se comunicar efetivamente sem chorar! Cada vez que seu bebê consegue comunicar que está com fome, entediado, ou com a fralda suja sem chorar a confiança dele em você aumenta e sua segurança como pai/mãe é reforçada. É um ciclo de interações que constói o vínculo e torna a vida mais aproveitável para todos.

7 – O sling é uma ferramenta para pais, avós, avôs e outros cuidadores.


Ele é muito útil na vida de todos que cercam os cuidados com o bebê. Estar no sling proporciona ao bebê acostumar com a voz, batimentos cardíacos e movimentos de quem o cuida e fortalece o relacionamento entre os dois. Os pais não têm a mesma ligação automática que as mães têm na gestação. Mas isso não significa que eles não possam estabelecer isso depois que o bebê nasceu. O mesmo com babás, avós e avôs, e todos que têm contato com o bebê. “Slingar” com o bebê é um ótimo meio de você inteiragir com o bebê na sua vida e ele te conhecer melhor.

8 – O sling é um lugar seguro para o bebê ficar.



Ao invés de ficar passando perto dos escapamentos de carros dentro de um carrinho num estacionamento por exemplo, o bebê estaria muito mais seguro perto do seu corpo. O sling também porporciona mais segurança emocional e a criança poderá experimentar o mundo com mais segurança e no seu próprio ritmo. Também dificulta as pessoas que ficam pegando o bebê e manipulando em horas impróprias.

9 – O sling é econômico


Ao contrário dos carrinhos e cangurus convencionais, o sling é muito mais barato. Provavelmente depois de começar a usar o seu você verá que ele é muito mais útil e econômico. Ele pode ser ‘passado para frente’ por pais que não precisam mais ou comprados novos. Nada mal pra algo que você vai usar diariamente por alguns anos!

10 – É divertido “slingar” seu bebê.


Quem não gosta de carregar um bebê cheirosinho fofinho e sorridente? Quando seu bebê é maiorzinho fica muito mais fácil conversar e interagir com ele e perceber as reações dele com as novas descobertas. Também é mais divertido para ele pois está no nível dos olhos dos adultos. Sua criança se sente mais parte da sua vida e você se encantará cada dia mais com a pessoa especial que ela é.
http://semanadosling.vai.la/


Extraído do site http://www.wearsthebaby.com/

Tradução: Marilia Mercer


sábado, 14 de julho de 2012

A importância do colo - O conceito do continuum.

Vivemos em uma sociedade que nos coloca a todo o momento que não devemos ficar durante muito tempo com nossos filhos no colo, pois assim tornarão crianças mimadas, dependentes emocionalmente. Mas essa na minha opinião é uma de tantos outros mitos sociais. E deixo a pergunta: o que esperar de um ser que é dependente?? O que esperar de um ser que evolutivamente depende de outro ser para se manter vivo principalmente durante seu primeiro ano de vida?? 
Colo não é nunca será prejudicial a uma criança, prejudicial é violenta-la, impedir que ela seja criança, exigir dela habilidades que ela AINDA não tem!!!
Deixo pra vocês esse texto magnifico que mudou a minha vida, e o meu olhar sobre a maternagem ocidental!!!






A antropóloga americana Jean Liedloff estudou a tribo venezuelana dos Yequana e defende que para conseguir um desenvolvimento físico, mental e emocional ótimo, o ser humano e especialmente um bebê, necessita o tipo de experiências às quais a nossa espécie se adaptou durante uma longa evolução. Para uma criança são: constante contato físico com seu cuidador desde o nascimento, dormir com os pais até deixar de fazê-lo por vontade própria, amamentação a livre demanda, ser levado constantemente nos braços ou de maneira que possa observar a atividade do adulto, ter cuidadores que respondam aos seus sinais imediatamente sem julgá-la e finalmente, sentir que cumpre as expectativas dos pais, que é bem-vindo e digno. Segundo Liedloff, as crianças cujas necessidades "continuum" forem satisfeitas crescerão com maior auto-estima e serão mais independentes.
Nos dois anos e meio que morei entre os índios da idade da pedra na selva sul-americana – não consecutivos, mas sim em cinco expedições distintas com muito tempo entre elas para refletir – cheguei a compreender que a natureza humana não é o que nos fizeram acreditar. Os bebês da tribo Yequana, longe de precisarem de paz e tranquilidade para dormir, tiravam uma soneca tranquilinhos enquanto os homens, mulheres ou crianças que os carregavam dançavam, corriam, andavam ou gritavam. Todas as crianças brincavam juntas sem brigar ou discutir e obedeciam aos mais velhos no mesmo instante e de bom grado.
A essa gente nunca lhes passou pela cabeça a idéia de castigar uma criança e, no entanto, seu comportamento não deixa entrever permissividade nenhuma. Nenhum moleque faz escândalo, interrompe os outros ou espera que um adulto lhe mime. Aos quatro anos, contribuíam mais com as tarefas do lar que davam trabalho elas mesmas.

Os bebês nos braços quase nunca choravam e era fascinante comprovar que não agitavam os braços e as pernas, não arqueavam as costas nem flexionavam as mãos e os pés. Permaneciam sentados nos slings ou dormiam encostados nos quadris do seu cuidador, desmentindo deste modo a crença de que os bebês precisam mover-se e flexionar as extremidades para exercitar-se. Também observei que não regurgitavam a não ser que estivessem muito doentes e que também não tinham cólicas. Quando se assustavam nos primeiros meses de engatinhar, não esperavam que ninguém acudisse correndo, ao invés disso, iam sozinhos em direção à mãe ou cuidador em busca dessa sensação de segurança antes de seguir com suas explorações. Inclusive sem supervisão, nem os menorzinhos se machucavam.

Será que sua natureza humana é diferente da nossa? Algumas pessoas assim o creem, mas evidentemente só existe uma espécie humana. Que podemos aprender, então, da tribo Yequana?

Antes de tudo, podemos tentar compreender o poder educativo do que eu chamo da “fase do colo”, que começa no momento do nascimento e termina quando o bebê começa a mover-se, quando pode afastar-se do seu cuidador e voltar quando queira. Essa fase consiste, simplesmente, em que o bebê tenha contato físico durante as 24 horas com um adulto ou criança mais velha.
A princípio, vi que essa experiência tinha um efeito extraordinariamente benéfico para os bebês, que não eram tão difíceis de tratar. Seus suaves corpinhos se adaptavam a qualquer postura que fosse cômoda para quem o levasse. Em contraposição a esse exemplo, vemos a incomodidade dos bebês que, com sumo cuidado, dormem no berço ou no carrinho. Bem agasalhados, se encontram lá jogados e rígidos, com o desejo de abrigar-se a um corpo vivo e em movimento: o lugar que lhes corresponde por natureza. Um corpo, em definitivo, que pertence a alguém que acreditará no seu choro e aliviará o seu anseio com braços afetuosos.
Por quê nossa sociedade é tão incompetente? Desde a infância, nos ensinam a não acreditar nos nossos instintos. Condicionados para desconfiar do que sentimos, nos persuadem para que não acreditemos no choro de um bebê que diz: “ Me pega no colo!”, “Quero estar com você!”, “Não me deixe!”. Em lugar disso, recusamos a idéia da resposta natural e seguimos os preceitos da moda que são ditados pelos “especialistas” no cuidado infantil. A perda da fé em nossa experiência inata nos leva a pular de um livro a outro, à medida que vão fracassando todas e cada uma das modas passageiras.

É essencial entender quem são os verdadeiros especialistas. O segundo especialista em cuidado de bebês reside no nosso interior, assim como em cada ser vivo que, por definição, deve saber como cuidar de sua cria. É claro que o maior especialista é o próprio bebê, programado durante milhões de anos de evolução para demonstrar seu temperamento com sons e gestos quando gosta do cuidado que recebe. A evolução é um processo de perfeição que “afinou” nosso comportamento com uma precisão magnífica. O sinal do bebê, a compreensão deste por parte dos que o rodeiam e o impulso a obedecê-la formam parte do caráter da nossa espécie. Nosso intelecto presunçoso demonstrou-se mal preparado para advinhar as autênticas necessidades do bebê. A pergunta costuma ser: “Devo pegar o bebê quando chora?”, “Devo deixar chorar um pouco antes de pegâ-lo?” ou “Deveria deixar que chore para que saiba quem manda e não se torne um tirano?”.

Nenhum bebê concordará com essas imposições. De forma unânime nos fazem saber através de gestos e sinais que não querem que lhes façamos dormir e lhes ponhamos no carrinho. Como essa opção não foi muito defendida na civilização ocidental atual, a relação entre pais e filhos acabou marcada por essa confrontação.
O jogo se centrou em como fazer o bebê dormir no berço, mas nunca se debateu se é preciso respeitar ou não o choro do bebê. Apesar de que o livro de Tine Thevenin, The Family Bed (A Cama Familiar), entre outros, abriu a brecha com o tema de que as crianças durmam com seus pais, não se abordou com claridade suficiente o princípio mais importante: “Atuar contra a natureza como espécie conduz irremediavelmente à perda do bem-estar”.

Então, uma vez que compreendamos e aceitemos o princípio de respeitar as expectativas inatas, poderemos descobrir com exatidão quais são essas expectativas. Em outras palavras, saberemos o que é que a evolução nos acostumou a experimentar e sentir.

A Função Educativa

Como cheguei à conclusão de quão importante é a fase do colo para o desenvolvimento de uma pessoa? A primeira coisa que vi foi como era feliz essa gente nas florestas da América do Sul com seus bebês penduradinhos no corpo e, pouco a pouco, fui relacionando esse fato tão simples com a qualidade de vida. Mais tarde, cheguei a certas conclusões a respeito de como e por quê é essencial o contato contínuo com o cuidador na fase pós-natal do desenvolvimento.

Por um lado, parece que a pessoa que carrega o bebê (normalmente a mãe durante os primeiros meses e depois uma criança de 4 a 12 anos que devolve o bebê à mãe para que esta lhe alimente) está servindo de base para as experiências posteriores. O bebê participa passivamente nas corridas, passeios, risadas, bate-papos, tarefas e brincadeiras do cuidador que o carrega. As atividades, o ritmo, as inflexões de linguagem, a variedade de vistas, noite e dia, a variação de temperatura, secura e humidade, além dos sons da vida em comunidade, formam a base para a participação ativa que começará aos seis ou oito meses, com o arrasto, a engatinhada e depois o passo. Um bebê que passou todo esse tempo deitado no berço, olhando o interior de um carrinho ou o céu, terá perdido a maior parte dessa experiência essencial.
Devido à necessidade que a criança tem de participar, é muito importante que os cuidadores não fiquem olhando pra ele ou perguntando constantemente o que querem, mas sim que deixem que eles mesmos tenham vidas ativas. De vez em quando, não podemos resistir a dar-lhes um monte de beijos, no entanto, uma criança que está acostumada a ver passar a vida agitada que levamos se confunde e se frustra quando nos dedicamos a contemplar como ele vive a sua. Um bebê que não fez mais que contemplar a vida que vivemos, se submerge na confusão se lhe pedimos que seja ele quem a dirija.

Parece que ninguém se deu conta da segunda função essencial da experiência da fase do colo, inclusive eu mesma, até meados da década de 60. Esta experiência dota os bebès de um mecanismo de descarga do excesso de energia que não são capazes de fazer por si mesmos. Nos meses anteriores a poder mover-se sozinhos, acumulam energia mediante a absorção do alimento e a luz solar. É então quando o bebê necessita o contato constante com o campo energético de uma pessoa ativa que possa descarregar o excesso de energia que nenhum dos dois utiliza. Isso explica porque os bebês Yequana estavam tão relaxados e porque não ficavam rígidos, davam chutes ou arqueavam as costas.

Para oferecer uma experiência ótima nesta etapa temos que aprender a descarregar nossa energia de maneira eficaz. Podemos acalmar mais rapidamente um bebê correndo com ele, dançando ou fazendo o que seja para eliminar o excesso de energia próprio. Uma mãe ou pai que tem que sair de repente para buscar alguma coisa não precisa dizer: ”Fica com o bebê que vou correndo até a loja”. O que tenha que sair que leve o bebê. Quanto mais ação, melhor.
Bebês e adultos experimentam tensões quando a circulação de energia nos seus músculos não flui bem. Um bebê cheio de energia acumulada não descarregada está pedindo ação: uma volta pela sala dando pulinhos ou uma dança agitada. O campo de energia do bebê aproveitará imediatamente essa descarga do adulto. Os bebês não são as pessoinhas frágeis que costumamos tratar com luvas de seda. De fato, se neste estágio de formação tratamos a um bebê como se fosse frágil, acabará acreditando que é fraco de verdade.

Como pais, podemos conseguir a destreza para comprender o fluxo de energia do nosso filho. No processo, descobriremos muitas mais maneiras de ajudá-lo a manter o suave tônus muscular do bem-estar ancestral e de proporcionar-lhe a calma e o conforto que necessita para sentir-se confortável nesse mundo.

Publicado originalmente na revista Mothering, edição do inverno de 1989 


Leitura:


- Continuum Concept, The – Liedloff, Jean. Perseus Books (1986).

http://www.continuum-concept.org/


Tradução de Bel Kock-Allaman

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nasce uma mãe e um filho!!!

Depois de quase 40 semanas, consegui parir o relato do parto do pequeno Nícolas, o Nico, fruto do mais puro amor meu que queima nos corações dos papais Gustavo e Thaiane!!!
Gostaria de relatar toda a minha trajetória, as minhas escolhas, as lutas, os medos, os sorrisos, as lágrimas, a caminhada, a barriga, a vitória e os pensamentos. Pra conseguir isso, vou voltar no tempo e contar como cheguei aqui. Quando escrevo penso em eternizar este momento maravilhoso, e quem sabe tocar alguma alguém e semear idéias.
 
Soy ty bebé, mamá
Estoy dentro de ti
Se está muy bien aquí
Sueño contigo,
Suenõ tus ojos
Mirándome
Como serás y
si me querrás
Soy tu bebé, mamá
Estoy dentro de ti
Se está muy bien aqui
(Rosa Zaragoza)

Tudo começou quando eu tinha meus 14 anos, quando ouvi de um GO amigo da nossa família, que eu jamais teria um parto normal, pois eu sou pequena pra isso. Aceitei sem questionar e levei isso como uma verdade, até o estágio em obstetrícia na faculdade. 
 Fui fazer estágio em uma maternidade que atende gravidez de baixo e médio risco, que tem selo de hospital Amigo da Crianças, taxas mais elevadas de PN, alojamento conjunto, e incentivo a amamentação. Assisti ao primeiro PN e ao contrário das minhas amigas, que saíam da sala chorando de emoção, eu saí da sala chorando de terror, quanta agressividade, episiotomia, Kristeler, puxo induzido, "maezinha"não grita não, força de cocô senão o nenê não nasce, pernas amarradas, posição em litotomia.   Pensei comigo: ainda bem que não posso ter PN. Depois fui assistir a uma cesárea, saí mais horrorizada ainda e pensei: não posso ter filhos. 
O tempo passou, e eu não acreditava que os bebês vinham ao mundo de forma tão agressiva, comecei a procura. A primeira vez que li o termo Parto Domiciliar eu quase grudei no teto, não entendia como em pleno século XXI as mulheres decidiam ter seus filhos em casa, longe da tecnologia hospitalar, e se acontecesse uma hemorragia, e se, e se... Mas me abri, e comecei a estudar, e questionar, e conversar, e o monstro começou a sorrir pra mim, e o jardim começou a dar flores.
O vento soprou leituras, pessoas, relatos, aos poucos fui construindo, destruindo, conhecendo pessoas, percebendo o mundo, mudando opiniões, ficando mais crítica, mudando a minha vida!! E percebi que estamos muitos atrasados nos assunto nascimento. E decidi, meu filho nasceria em casa. Isso uns 3 anos antes de eu engravidar do Nico.
 Acredito que por medo disso tudo não ser real, entrei em contato com a doula Helena Junqueira, que respondeu minhas perguntas, com a Jamile Bussadori (parteira) que também me respondeu atenciosamente, mas a gravidez veio um ano depois.
Quando me descobri grávida, entrei em contato com a Jamile, marquei encontro no Despertar do Parto,  quando eu entrei por aquelas portas, eu me senti uma mulher poderosa, em busca do meu protagonismo, da vivência por inteiro do nascimento do filho e do meu como mãe.
A gravidez foi evoluindo, enjôos, felicidade absurda, tudo tranquilo. Fazia o pré-natal com uma médica nada humanizada, mas ainda não era um problema, até que no dia 01/01/2011 as cólicas renais chegaram sorrateiramente na madrugada do primeiro dia do ano, com ela as contrações chegaram também, e o medo aflorou. Eu estava com 19 semanas de gestação, eu já amava o ser que se movimentava dentro de mim, eu sonhava com seu toque, com suas mãos, eu já havia me tornado mãe, já era a minha vida!!
Mudei de médico quando vi que isso poderia ser usado contra mim (ou o parto), procurei um médico que tem as mais altas taxas de PN da cidade, é bastante calmo, acredita no parto normal, é muito educado, discreto, e dá pra negociar algumas intervenções, e espera o momento do parto, o que aqui em Ribeirão já é um grande avanço, diante das taxas de mais de 90% de cesareanas no setor privado.
Segui o pré-natal com ele até o final, por conta da questão renal tive que afastar do trabalho, o que pra mim foi extremamente difícil, pois eu amava trabalhar, fazia bem pra minha cabeça, eu adorava o pessoal do trabalho e não queria ficar em casa. mas tinha medo, muito medo de perder o amor que desabrochava dentro de mim, ainda mais por não saber a causa das cólicas renais. Seria hidronefrose congênita, cáculos renais, ambos? (depois descobri que eram ambos).
Comecei a tomar muitos medicamentos, por conta das muitas contrações, cheguei até a fazer ciclo de corticóide, mas no fundo eu sentia que aquilo não era o correto. Quando cheguei na 28 semana de gestação eu comecei a abandonar os medicamentos, aos poucos, eu sentia que não teria o protagonismo do nascimento, entregando meu corpo na gestação. O problema renal era real, mas as contrações não me pareciam patológicas, as contrações eram oriundas do medo, da insegurança, não do meu corpo, decidi confiar em mim, confiar no meu filho que era forte, e confiar que seguiriamos adiante, e que venceriamos essa batalha.  Claro que muto atenta aos sinais do meu corpo, eu fui deixando os medicamentos. E surpresa: as contrações desapareceram. O que eu precisava era de segurança, de carinho, de palavras amigas, de incentivo, mas isso em 15 minutos de consulta ninguém consegue dar, é mais fácil receitar remédios.
E desse amor, se fez a vida!
Com 37 semanas, eu consegui me sentir realmente grávida, Nico poderia vir, nenhuma gota de medo percorria meu corpo. E as semanas se passaram, quando completei 40 semanas, o tampão começou a sair, mas nada mudou. Viajei, fui num casamento, sambei com todo mundo olhando a "bomba relógio" prestes a explodir na pista de dança (afinal, quase ninguém chega as 41 semanas hoje em dia), caminhei, conversei com o meu lindo, até que na terça-feira, dia em que completei 41 semanas, levantei com um humor ruim, tomei meu café e fui pra Yoga, com a doula querida Eleonora Moraes (Léo), comentei que eu sentia uma dorzinha, a cada 8 minutos, mas nada diferente do que eu sentia desde a 19 semana, fiz a Yoga, fui pra casa da sogra, passei ao supermercado pra comprar algumas coisinhas e fui pra casa. Cheguei exausta e queria tomar um banho e dormir, mas no chuveiro a primeira contração chegou, não tinha duvidas, agora era parto, Nico iria nascer.
Liguei pra parteira, doula, marido, dizendo que o TP estava no início, mas que estava tudo bem, que eu iria tirar fotos ainda (quem me dera). Desliguei o telefone, outra contração, liguei pra todo mundo novamente dizendo que a coisa tá feia. rsrsrs
Gustavo e Léo chegaram uns 30 min depois, eu já estava apoiada em uma pilha de travesseiros, conseguia conversar nos intervalos, mas elas já vinham doloridas. Mas a alegria de saber que era o dia, o dia do nascimento do meu ogrinho, me dava forças pra não ter medo do que estava por vir, me dava coragem e força, e uma sensação incrível de sentir o corpo funcionar, de me sentir mulher.
Sentada na cama, a bolsa rompeu, lembro-me de falar pra Léo: agora o bicho vai pegar né? ela me respondeu com um sorriso. Fomos pra sala, sentei na bola, e contrações fortes a cada 2 min, Léo me orientou a ir pro chuveiro, aí uma contração engatou na outra, não dava intervalos, eu pedi pra ir pra cama, pra pilha de travesseiros, e lá fiquei, até a Jamile chegar, preparar a banheira, armar o circo rsrsrs
Não me lembro da Jamile chegando, parece que ela sempre esteve ali, devido a sua discreta forma de trabalhar, ela era invisivel aos olhos, mas eu a sentia ali.
Pedi várias vezes pra ir para a banheira, perguntava pra Léo: Se está no começo porque dói tanto? E ela me respondeu: não está no começo querida, você está na transição. Tive medo de não estar, daí jamile veio realizar o único exame de toque pra saber se eu poderia entrar na banheira, tive medo de ouvir um 4, pois eu estava com MUITA dor, mas ouvi um 8, sorri, até bati palma, meu corpo funciona!!!!
Contrações intensas!!!
Fui feliz pra banheira, e de lá não saí mais. as contrações começaram a ficar muito mais intensas, eu já não raciocinava, e meus olhos ficavam fechados a maior parte do tempo. Uma mão sempre estava ali, segurando a minha, bem forte, era o Gu, que me olhava nos olhos, como se quisesse entrar dentro de mim e dividir a dor comigo, mesmo com os olhos fechados eu sentia seu olhar, e sempre que eu abria meus olhos encontrava os dele, e me sentia forte,  recarregava minhas forças pra continuar. Seu toque, sua presença aliviavam as dores, me sentia segura, quando ele saía de perto de mim a dor aumentava, faltava algo, faltava meu porto-seguro.
Camila (parteira) chegou um tempo depois, não sei dizer quando, pois eu só me dei conta de sua presença após o nascimento, tamanha sua delicadeza e seu respeito pelo momento. Temos várias fotos juntas, algumas abraçadas, tem fotos dela massageando minhas costas, me oferecendo alimento, mas ela estava invisível aos meus olhos!!!
Um dos meus maiores medos, e acredito que o de todo mundo, era eu não conseguir me entregar, e ficar querendo controlar tudo. Mas a gravidez existe pra isso, na gravidez, aprendi a me libertar, a confiar em mim, e a perder o controle. Por isso as lágrimas, as dores, as cólicas tiveram seus significados, não eram me fazer sofrer, ou me prejudicar, mas me amadurecer, me deixar mais forte, me preparar, quebrar as barreiras que poderiam fazer com que o parto não acontecesse como o esperado, e também me preparar para a vida!
No meio de uma contração imensamente intensa, que por um segundo eu pensei que não daria conta, veio a vontade de fazer força, e que alivio era fazer força. Dentro mim habita uma fera, adormecida, que se colocou em atividade para trazer meu filho. Estava muito cansada, e conversei pela última vez com o Nico dentro de mim, disse a ele que nossa jornada estava no final, que ele poderia vir, que poderiamos juntos terminar essa jornada. Venha filho, pros braços da mamãe.
Estava na banheira, com o Gu do meu lado também dentro da banheira, sentada de lado, e a força vinha muito forte, ninguém dizia nada, o ambiente estava em penumbra, Gustavo segurava minha mão e me acariciava, a dor havia ido embora.  Coloquei a mão e uns 4 cm ainda dentro de mim, senti sua cabeça e disse: Meu filhinho está aqui!!!
Com as forças eu senti uma queimação no períneo, e vocalizava muito, gritava, urrava, queimava muito, tive a sensação de que iria abrir ao meio, mas Gustavo e eu acariciavamos seus cabelos que já se mostrava, Léo, Camila e Jamile, vocalizavam junto, e por um instante ouvi mentalmente:
"siente que el momento llega
siente tus huesos son fuertes
siente, estamos ayudando
Nasceu uma família
lo divino esta conitgo
siente, el ninõ está en la puerta
vivirá para abrazarte
tienes lo que necesitas
madre de todos nosotros"
(Rosa Zaragoza)

Em meio a tanta queimação ouvi a Léo dizer: nasceu a cabeça linda, põe a mão nele. Eu coloquei a mão em sua cabeça, abri um sorriso enorme e disse: Nossa!!!! Foi uma das sensações mais maravilhosas, e o Gu compartilha isso comigo. Acariciar suas orelhinhas, seu narizinho, sua pequena cabeça, com seu corpo ainda dentro de mim. Estava com uma circular de cordão, desfeita pela Camila. Olhei pra cima, sorri, e nasceu o corpo. Gu o pegou na água e o entregou em meus braços. Ainda me lembro da sensação magnífica que foi sentir seu corpo escorregadio junto ao meu. Meu mundo ali caiu, e nasceu outro. Maravilhoso, magnífico, íntimo, sagrado, não há uma palavra a altura de um momento tão sublime como esse. O sentimento é de entrega, seu coração se abre, é muito amor.
Nico nasceu de olhos abertos, um pouco molinho, mas logo após ser aquecido já se mostrou muito esperto, querendo mamá. Nasceu no dia 24/05/2011, às 21:59h, após 8h de trabalho de parto transformador, pesando 2820g, 48cm, com 41 semanas de gestação.
Saí da banheira e deitei no sofá, com meu filho nos braços, ficamos alí nós três, nos conhecendo, namorando, como é lindo, como esse amor é intenso, nós conseguimos. 
Ele me olhava nos olhos, e eu não acreditava que era real, meu sonho se materializou. Em meu colo ele me lambia, procurando o seio, e mamou alguns minutos após o parto. 
Nico nasceu sem agressividade, veio ao mundo com amor e respeito. Não foi feito nenhum procedimento desnecessário, recebeu vitamina K oral, não recebeu colírio de Nitrato de Prata em seus olhos sensíveis, não foi separado de mim em nenhum instante. Pude cheirá-lo, acariciá-lo, beijá-lo, ninguém tirou isso de mim!!!
Jantando após o nascimento. Nico dormindo no colo do pai.
Após esse momento nosso, Jamile suturou uma laceração que tive no períneo, tomei um banho e me deitei, a Léo preparou uma macarronada e fizemos um brinde ao nascimento do pequeno Nícolas, ao nascimento de uma família.
Simples assim, um nascimento celebrado, uma vida chegou respeitada, já se deitou na cama de seus pais, e já fazia parte de nosso dia-a-dia, de nossa vida. 
Após esse dia maravilhoso, me sinto forte, poderosa, agora eu sinto que posso fazer tudo, que eu tenho força pra realizar todos os meus sonhos, que eu tenho força pra ser uma pessoa melhor. 
Olho para o meu filho todos os dias e sinto orgulho de nós, pois juntos conseguimos tecer nossa história.

Agradeço de coração ao meu grande marido, que me acompanhou nessa jornada, que me deu segurança, me ofereceu seu ombro, e sonhou comigo, e hoje é o melhor pai do mundo.
A equipe maravilhosa que me acompanhou nesse processo, Jamile, Eleonora, Camila. Se vocês não tivessem coragem e força de mulher, essa história seria diferente.
A lista partonosso que me fez refletir e ter coragem de entrar nessa estrada. 
Às bravas mulheres que relataram seus partos, que me permitiram admirá-las e construir a minha história, acreditando nessa força de mulher.
A minha família que me ajudou nessa caminhada.
E aos amigos, que ficaram com os ombros cheios de lágrimas, algumas de alegria e outras de tristeza.
Ao meu amado filho Nico, que iniciou sua vida, transformando a minha!!!!
Colocando a roupa!!!
Medindo o pequeno
Dormindo juntinhos, recarregando as baterias